Blog do Adriano Krzyuy

AI como Camada de Execução: Repensando Estratégia e Arquitetura para 2026

A cada mês de dezembro, os parceiros da A16Z oferecem um panorama sobre os desafios que os fundadores devem abordar no próximo ciclo. A lista de 2026, com suas 15 ideias centrais para a Inteligência Artificial, sinaliza um movimento inequívoco: o foco migrou das experimentações e dos copilotos para sistemas que agem, infraestrutura construída para agentes, e empresas que substituem fluxos de trabalho inteiros.

Esta convergência de ideias aponta para uma tese central: a AI está se tornando a camada de execução da economia. Para líderes e fundadores que buscam posicionar suas organizações para a próxima onda, o sinal é claro: a AI deve ser tratada como fundamento, não como um mero complemento. Nesse artigo faço um resumo das ideias centrais da A16Z.

A Arquitetura da Ação: Do Prompt à Execução

A próxima geração de produtos de AI será invisível e proativa. Em 2026, o foco não estará mais em otimizar prompts ou melhorar o UX de chats, mas sim em projetar sistemas que compreendem a intenção a partir do comportamento do usuário, agindo no momento certo, sem a necessidade de instruções diretas.

Essa mudança de foco tem um impacto profundo na arquitetura empresarial. Por décadas, o software girou em torno de sistemas de registro (CRMs, ERPs), onde os dados eram armazenados e os humanos realizavam o raciocínio e a execução. Agora, a AI colapsa essa separação. A camada estratégica está migrando para cima: o sistema que entende a intenção e executa fluxos de trabalho torna-se o produto de maior valor, enquanto o database subjacente se torna uma commodity. A orientação para fundadores é construir para a execução, e não apenas para o armazenamento.

Além disso, à medida que agentes consomem conteúdo e software em nosso nome, o design e o layout visual tornam-se menos importantes, e a legibilidade para a máquina (otimizar produtos para o consumo por agentes) torna-se o foco principal.

O Imperativo da Orquestração e da Infraestrutura Nativa

A transformação em 2026 não será apenas sobre agentes isolados, mas sobre sua coordenação.

  1. Orquestração de Agentes: Empresas Fortune 500 estão migrando de ferramentas de AI isoladas para frotas coordenadas de agentes que planejam, executam e se adaptam em conjunto. Isso cria novas funções e camadas de software focadas em governança, confiabilidade e coordenação. De forma semelhante, a AI Vertical deve se tornar 'multiplayer', coordenando stakeholders e sincronizando mudanças, onde a colaboração se torna o diferencial competitivo (moat).
  2. Reconstrução da Fundação: Para que a AI alcance seu potencial em setores regulados, a infraestrutura legada precisa ser substituída. Sistemas bancários antigos, por exemplo, não foram projetados para agentes autônomos agindo em paralelo. Isso abre espaço para startups que funcionam menos como wrappers de fintech e mais como sistemas operacionais nativos para o dinheiro.
  3. Dados Multimodais: Sistemas de AI falham quando os dados de entrada permanecem caóticos (em PDFs, emails, vídeos). Uma grande oportunidade reside na construção de plataformas que continuamente limpam, estruturam e governam dados multimodais, controlando essencialmente a camada sobre a qual todo o resto será construído.

Essa transformação se estende ao mundo físico, com a ascensão de uma base industrial nativa em AI (fábricas, sistemas de energia, logística) que começa com automação e simulação, influenciando diretamente o PIB do mundo real.

A Lente da Responsabilidade e as Lacunas Críticas

Embora o foco na execução e na otimização econômica seja dominante, é fundamental manter uma perspectiva ponderada sobre o escopo dessas inovações.

Avanços como a otimização para o indivíduo ("O ano do eu") na saúde, educação e finanças prometem maior retenção porque os usuários se sentirão compreendidos, e não apenas atendidos. E no setor de cibersegurança, a AI pode automatizar o trabalho repetitivo, aliviando o esgotamento de equipes e permitindo que humanos se concentrem em ameaças reais.

No entanto, a discussão sobre o futuro da AI precisa ser expandida. As previsões tendem a ser míopes se descontextualizadas. A conversa de 2026, apesar de sua genialidade técnica, mostra lacunas significativas ao negligenciar questões críticas como: AGI, privacidade, segurança da informação, governança de dados, desinformação e os efeitos diretos no trabalho humano.

Ademais, os fatores externos, como a geopolítica e a formação de novas alianças, certamente influenciarão como essas inovações serão executadas, tornando desafiador construir empresas através de jurisdições e ecossistemas variados.

Conclusão:

O imperativo para fundadores e líderes em 2026 é claro: pensar primeiro em arquitetura, alavancagem e responsabilidade. O poder do software que pode planejar e executar exige que as equipes foquem em onde a complexidade está se movendo, questionem pressupostos antigos e construam o futuro da execução, com uma visão estratégica que vai além dos ganhos imediatos de eficiência, incorporando o impacto ético e social no centro do design.


Este artigo é baseado em excertos de "The 15 AI Ideas for 2026, According to a16z Partners", publicado em dezembro de 2025.